quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

"You = Me": Ricky Martin e a defesa da igualdade


Primeiro foi seu novo clipe, The Best Thing About Me Is You, em que aparece com o símbolo da Human Rights Campaign - projeto americano que defende a igualdade de direitos para o público gay, célebre por ter "ressuscitado" a música True Colors - tatuado no peito. Agora, Ricky Martin voltou a chamar a atenção por aqui graças à sua entrevista para a Revista Veja desta semana. Nela, o cantor falou muito abertamente sobre o reconhecimento de sua homossexualidade, a decisão de se assumir publicamente, o medo de perder os fãs e a relação com os filhos, segundo ele os grandes motivadores de sua saída do armário. Confira a seguir alguns trechos da entrevista:

A decisão de sair do armário
Eu não aguentava mais me esconder e fingir ser quem não era. Sou uma boa pessoa e tento fazer o bem ao próximo, mas algo me faltava. O que virou a mesa foi a paternidade. Um dia, olhei nos olhos dos meus filhos e pensei: "Se quero que eles sejam felizes, eu tenho de viver com transparência". Nesse mesmo dia, coloquei no meu site uma carta revelando que sou gay. Se não fizesse isso, poderia dizer quem sou na minha casa? Ou será que eu iria mandar meus filhos mentir a meu respeito na escola? Nada disso. Quero mais é que eles falem aos seus amigos: "Meu pai é gay e ele é muito legal - Seu pai não é gay. Triste o seu caso". Quero que eles sintam orgulho em fazer parte de uma família moderna.

O medo de perder a popularidade
Essas questões passaram, sim, pela minha cabeça. Será que o público vai me largar, por preconceito? Será que os fãs não vão se sentir enganados pelo tempo em que deixei que acreditassem que eu era heterossexual? Mas o fato é que eu precisava ser feliz. Precisava me sentir completo, com o coração cheio. E as pessoas estão respondendo muito positivamente. Já ouvi gente dizendo que não vai mais ouvir minha música. Mas vejo muito mais gente falando "hoje eu amo o Ricky Martin". Durante anos senti medo, mas ele existia apenas na minha cabeça.

O segredo quanto à sua orientação sexual
Era horrível. Eu vivia em um mundo glamouroso, com muitas viagens, suítes de hotel de luxo e jatinhos particulares. No palco, sentia-me forte. Mas, quando o show terminava, corria para casa para me isolar e me desligar de tudo. A maioria das pessoas não imagina que é possível estar com milhares de pessoas e ainda assim se sentir só. Eu sabia que havia algo errado comigo por dentro, mas tinha esperança de que uma hora essa sensação desaparecesse. Não desapareceu. Quando acabou a loucura de Livin' la Vida Loca, eu sentia apenas cansaço e tristeza. Não tinha vontade para nada.

A certeza de ser gay
Acho que a pessoa sempre sabe. Existe uma coisa que se chama atração, algo diferente que você sente, desde pequenino mas não sabe como definir. São coisas que os adultos reprimem. Dizem "isso não é certo, isso é errado". Quando você é garotinho e seus pais o levam ao parque, alguém logo diz: "Olha que bonita aquela garota! Que graça! Você gostou dela?". Somos levados a sentir atração pelo sexo oposto, e isso provoca uma confusão enorme quando se sente algo diferente. A pressão é toda para sermos como os outros: é mais fácil. Hoje sinto que os outros é que são diferentes, não eu.

A declaração, em seu site, de que "a homossexualidade é um dom"
Falei isso pela necessidade de viver com dignidade, respeito e autoestima. Queria que o mundo entendesse que amar do jeito que eu amo não é revolucionário, é natural. Não quero agredir ninguém por amar como amo. Minha natureza me faz assim. (...) Todo gay nasce gay. A vida social às vezes se opõe a essa natureza, e aí começa o conflito.

(...) Lembro quando falei para meus pais sobre minha sexualidade, há muitos anos. Eles me abraçaram e disseram: "Nós só queremos que você seja feliz". Minha mãe chorou. Depois eu disse: "Isso não é uma preferência, não foi uma decisão que tomei. Nasci assim". Não pense que ontem fui de um jeito e agora decidi ser isso. Um dia desses, li a história de uma mãe que tem 2 filhos: um é gay e o outro é um criminoso que matou 3 pessoas. Essa mãe vai visitar na cadeia o criminoso todos os domingos, porque ama seu filho e não se importa que ele seja um assassino. Com o outro filho, que é gay, ela não quer nem falar. É loucura! (...) Esse tipo de discriminação e de ignorância acontece no mundo todo.


Auto-aceitação
A pessoa tem de passar por um processo espiritual para que possa se aceitar. Quando não está pronta, não adianta, ninguém pode forçar. Por isso, tem gente que sai do armário aos 18, outros aos 30 e outros ainda que morrem sem assumir a homossexualidade.

A relação com os filhos
Todo mundo muda depois dos filhos. Tudo é diferente agora. Todas as decisões têm a ver com eles. O jeito como dirijo meu carro é diferente. Sou muito mais precavido. Antes, era mais louco. Agora penso: "Tenho dois filhos para criar". Antes eu ia dormir às cinco da manhã. Hoje, acordo às 7 e meia (...).

A barriga de aluguel e a ausência da figura materna
Direi que queria muito tê-los e que, com a ajuda de Deus, tudo se alinhou para que eles fizessem parte da minha vida. Mostrarei fotos da mãe, mas não quero contato deles com ela. Fizemos um acordo similar ao que rege os processos de adoção, para proteger a privacidade da mãe. Para mim, o fundamental é eles entenderem que nem todas as famílias são iguais. Elas são diferentes. Algumas famílias são formadas por uma mãe e 5 filhos, outras têm duas mães e dois filhos: e há também as que consistem em duas pessoas que se amam mas não têm filhos. Nossa família é formada por eles e por mim.

E você? O que achou dos pontos de vista defendidos pelo cantor? Compartilhe sua opinião conosco. Comente, divulgue, participe! :-)

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Atualização em 03/02/11:

Em entrevista concedida ao Fantástico, da Rede Globo, em 30/01/11, Ricky Martin expôs, com muita tranquilidade, seus pontos de vista sobre carreira, sair do armário, paternidade e a relação com os filhos. Acrescentamos o vídeo abaixo. :-)

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns, Ricky Martin ;)

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